Coisas óbvias para o fonoaudiólogo, mas que podem te surpreender sobre a sua audição

Pensando nisso, reunimos alguns fatos essenciais sobre a saúde auditiva e o cuidado com os ouvidos que merecem ser destacados (e desmistificados!). Confira!

SAÚDE E BEM ESTAR

Marcio Ademar Santos de Borba (CRFa 7: 10889)

10/9/20263 min read

Dúvidas
Dúvidas

Na rotina do consultório fonoaudiológico, lidamos diariamente com conceitos, orientações e verdades clínicas que fazem parte do nosso dia a dia. No entanto, percebemos que muitas dessas realidades ainda geram dúvidas — ou são grandes novidades — para quem está do outro lado.

Pensando nisso, reunimos alguns fatos essenciais sobre a saúde auditiva e o cuidado com os ouvidos que merecem ser destacados (e desmistificados!). Confira abaixo:

1. Cotonete não limpa o ouvido

Um dos hábitos mais comuns é o uso das hastes flexíveis (os famosos cotonetes) para a limpeza dos ouvidos. O que muitos não sabem é que, anatomicamente, o canal auditivo tem um mecanismo natural de autolimpeza. Quando introduzimos o cotonete, em vez de remover a cera, o que geralmente acontece é que ela é empurrada ainda mais para dentro, compactando-se contra o tímpano e podendo gerar bloqueios, desconforto e até infecções.

2. A perda auditiva não dói

Diferente de uma dor de dente ou de uma otite aguda, a perda auditiva sensorial costuma se instalar de forma silenciosa e gradual. É exatamente por não doer que muitas pessoas demoram anos para perceber que a audição está diminuindo, compensando a dificuldade com o aumento do volume da TV ou pedindo para repetirem frases constantemente.

3. Crianças também podem usar aparelho auditivo

A tecnologia e a reabilitação auditiva não são exclusivas da terceira idade. Crianças de diferentes faixas etárias — desde recém-nascidos diagnosticados precocemente na triagem até crianças em idade escolar — que apresentam perda auditiva podem e devem se beneficiar do uso de aparelhos auditivos. O acesso precoce aos sons é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação.

4. O aparelho auditivo não “cura” a audição

O dispositivo de ampliação sonora não tem o poder de reverter ou "curar" uma lesão auditiva fisiológica. O seu verdadeiro papel é o de reabilitar, estimulando as vias auditivas e o cérebro com os sons que deixaram de ser percebidos, devolvendo a nitidez e permitindo que o paciente volte a interagir com o mundo sonoro ao seu redor com conforto.

5. Se você só abaixa o volume quando incomoda, o som já está alto demais

Muitas pessoas regulam o som da televisão, do fone de ouvido ou do carro baseando-se no limite do incômodo físico. Se o som só passa a ser notado (ou ajustado) quando começa a agredir ou incomodar os ouvidos, significa que a intensidade já ultrapassou níveis seguros e saudáveis para a integridade das suas células auditivas.

6. É possível ter perda auditiva e nem perceber

Devido à forma como a perda auditiva geralmente afeta frequências específicas primeiro (como os sons mais agudos), o cérebro humano tem uma incrível capacidade de "completar" lacunas no início. Por isso, é comum que a pessoa acredite ouvir bem, enquanto perde sutilezas importantes de uma conversa em ambientes com ruído.

7. O exame de audição não dói, não fura e não machuca

O receio de realizar exames preventivos costuma afastar algumas pessoas do consultório. Vale reforçar: a audiometria e os exames complementares de avaliação auditiva são totalmente indolores, não invasivos e seguros. É um processo tranquilo que avalia com precisão a saúde da sua audição.

Cuide bem da sua audição

A saúde auditiva é parte indispensável do seu bem-estar, da sua autonomia e da sua convivência social. Se você se identificou com alguma dessas situações ou percebeu que sua audição merece uma atenção especial, o primeiro passo é buscar uma avaliação profissional detalhada.

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Sobre o Autor

Marcio Ademar Santos de Borba (CRFa 7: 10889) é fonoaudiólogo e responsável técnico pela ClassiSom Aparelhos Auditivos. Especialista em reabilitação auditiva, dedica sua trajetória clínica ao atendimento personalizado e humanizado de pacientes em Porto Alegre/RS.